para
reconhecer na sede o meu emblema
para
significar o único sonho
para
não me sustentar nunca outra vez no amor
fui
toda oferenda
um
puro errar
de
loba no bosque
na
noite dos corpos
para dizer a palavra inocente
O poema apresenta a poesia como uma procura incessante pela
palavra essencial, capaz de traduzir a experiência interior. A noite surge como
espaço de introspeção, desejo e descoberta, onde a poeta vagueia entre o amor,
a solidão e a procura de identidade. A imagem da «loba» sugere liberdade,
instinto e errância. A linguagem, breve e depurada, cria uma atmosfera
simultaneamente misteriosa e melancólica. Assim, escrever torna-se uma
tentativa de alcançar uma palavra «inocente», pura e verdadeira.

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