Eis-me
Tendo-me
despido de todos os meus mantos
Tendo-me
separado de adivinhos mágicos e deuses
Para
ficar sozinha ante o silêncio
Ante
o silêncio e o esplendor da tua face
Mas
tu és de todos os ausentes o ausente
Nem
o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O
meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o
teu encontro
São
planícies e planícies de silêncio
Escura
é a noite
Escura
e transparente
Mas
o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu
não habito os jardins do teu silêncio
Porque
tu és de todos os ausentes o ausente
in, "Livro Sexto"
A voz do poema apresenta-se numa atitude de
disponibilidade, presença e procura de verdade. O título, breve e afirmativo,
traduz uma declaração de existência e entrega perante o mundo. A poesia surge
como forma de encontro, revelando a tensão entre a fragilidade humana e o
desejo de plenitude, justiça e harmonia com o universo.

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