Se
não sentes que teus pés
levantam
o pó de todos caminhos,
se
não sabes que te afundas e contigo vai o mundo,
se
não mordes, se não escutas
o
rasgar das térmitas,
se
te escondes, se vais atrás
do
aplauso dos palermas,
se
ao passar essas portas
baixas
a cabeça ou pedes caramelos ou desculpas,
se
já no matadouro te resignas
e
não te cagas cem mil vezes nos seus mortos,
para
que porra escreves,
a
quem queres servir,
a
quem pretendes enganar?
Tradução
de A.M.
Original:
Si
no sientes que tus pies
levantan
el polvo de todos los caminos,
si
no sabes que te hundes y contigo el mundo,
si
no muerdes, si no escuchas
el
rasgar de las termitas,
si
te escondes, si corres al aplauso de los gilis,
si
al pasar por esas puertas
agachas
la cabeza o pides caramelos o disculpas,
si
ya en el matadero te resignas
y no
te cagas cien mil veces en sus muertos,
para
qué coño escribes,
a
quién quieres servir,
a
quién pretendes enganar?
«Poética final», de Manuel Moya, através da heterónima
Violeta C. Rangel, apresenta uma reflexão sobre o próprio ato de escrever e
sobre os limites da poesia. O poema assume um tom de balanço e despedida,
sugerindo que a palavra poética nasce da experiência, mas também da consciência
da sua insuficiência. O título reforça essa dimensão conclusiva: escrever
torna-se uma forma de enfrentar o tempo, a perda e o inevitável fim.

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