José Luís Peixoto - E o amor transformou-se

 


E o amor transformou-se noutra coisa com o mesmo nome.

Era disto que falavam as mães quando davam conselhos

ás filhas e diziam: o amor vem depois. Era isto o depois.

Uma ternura simples, quase dolorosa, muitos silêncios,

todas as horas do dia e um poema que se dissolve dentro

de mim e que, devagar, sem rosto, desaparece.


      O poema aborda a transformação do amor, que, sem desaparecer completamente, adquire uma natureza diferente e inesperada. A expressão «outra coisa com o mesmo nome» traduz a distância entre o amor idealizado e a realidade vivida. Os conselhos maternos, associados à ideia de que «o amor vem depois», ganham um significado melancólico, revelando a descoberta de uma ternura silenciosa, quase dolorosa. A pintura é de Henri Martin, The Lovers.


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