Estás
aqui tão desnuda
que
ninguém sequer te conhece.
Hoje,
não.
Não
te pergunto nada agora.
Teu
corpo é longa resposta
para
quem te interrogar.
Puseste
uma máscara de aço
depois
de tirar os vestidos.
Ergueste
mil muralhas
em
volta de teu sangue.
Mas
não.
Hoje
não te pergunto nada.
Tradução de A.M.
Original:
Estás
aquí tan desnuda
que
no te conoce nadie.
Hoy,
no.
Ahora
no te pregunto nada.
Tu
cuerpo es larga respuesta
a
quien quiera preguntarte.
Te
has puesto un disfraz de acero
quitándote
los vestidos.
Has
creado mil murallas
alrededor
de tu sangre.
Pero
no.
Hoy
no te pregunto nada.
O poema apresenta a nudez como metáfora da verdade interior e do mistério humano. O sujeito poético contempla uma figura que, apesar de despojada, permanece desconhecida. O corpo transforma-se numa «longa resposta», mas também numa barreira, simbolizada pelo «disfarce de aço» e pelas «mil muralhas». O contraste entre vulnerabilidade e defesa revela a dificuldade de conhecer verdadeiramente o outro. A repetição de «Hoje não» reforça o silêncio, a distância e a aceitação momentânea do mistério.

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