José Luis Hidalgo - A sombra desnuda / La sombra desnuda

 


Estás aqui tão desnuda

que ninguém sequer te conhece.

Hoje, não.

Não te pergunto nada agora.

Teu corpo é longa resposta

para quem te interrogar.

Puseste uma máscara de aço

depois de tirar os vestidos.

Ergueste mil muralhas

em volta de teu sangue.

Mas não.

Hoje não te pergunto nada.


  Tradução de A.M.


  Original:


Estás aquí tan desnuda

que no te conoce nadie.

Hoy, no.

Ahora no te pregunto nada.

Tu cuerpo es larga respuesta

a quien quiera preguntarte.

Te has puesto un disfraz de acero

quitándote los vestidos.

Has creado mil murallas

alrededor de tu sangre.

Pero no.

Hoy no te pregunto nada.


      O poema apresenta a nudez como metáfora da verdade interior e do mistério humano. O sujeito poético contempla uma figura que, apesar de despojada, permanece desconhecida. O corpo transforma-se numa «longa resposta», mas também numa barreira, simbolizada pelo «disfarce de aço» e pelas «mil muralhas». O contraste entre vulnerabilidade e defesa revela a dificuldade de conhecer verdadeiramente o outro. A repetição de «Hoje não» reforça o silêncio, a distância e a aceitação momentânea do mistério.


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