José Jiménez Lozano - Homero

 


Se aí viesse Homero

ao teu jardim, o que farias tu?

Onde é que guardas o mel, as tâmaras,

o leite, um pedaço de porco?

Achas que ele te falaria das Plêiades,

ou que poderias dar-lhe os teus poemas a ler?

Oh, pai Homero, senta-te e escuta!

Diz-me se Ulisses, se Penélope,

se a lua vermelha de Setembro,

se o vento ou orvalho, se as vides

ou a espuma do mar,

se a rima ou a lua, se a morte

estão bem postas em meus versos,

apenas isso.


Tradução de A.M.


Original:


Si ahora llegase Homero

a tu jardín ¿qué harías?

¿Dónde guardas los dátiles, la miel,

la leche o un trozo de puerco?

¿Crees que hablaría contigo de las Pléyades

y podrías darle a leer tus poemas?

¡Oh, padre Homero, siéntate y escucha!

Dime si Ulyses, si Penélope, si la luna roja

de setiembre, si la escarcha o el viento

cierzo, si las vides o la marina espuma,

si la rima o la luna, si la muerte

están bien situadas en mis versos,

sólo esto.  


      O poema convoca a figura do poeta grego como símbolo da memória, da tradição e da permanência da palavra. Homero representa a capacidade de transformar experiências humanas em narrativa, preservando histórias, emoções e valores através dos séculos. A sua presença sugere uma reflexão sobre a origem da poesia e o poder da linguagem para vencer o esquecimento. 


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