As
casas pertencem aos vizinhos
os
países aos estrangeiros
os
filhos são das mulheres
que
não quiseram filhos
as
viagens são daqueles
que
nunca deixaram a sua aldeia
como
as fotografias por direito pertencem
aos
que não saíram na fotografia
— é
dos solitários, o amor.
O poema constrói-se a partir de associações paradoxais sobre
a ideia de pertença. As casas, os países, os filhos, as viagens e as
fotografias parecem pertencer precisamente a quem deles está afastado. Esta
inversão cria uma reflexão sobre o desejo, a ausência e a distância entre
possuir e experimentar. A repetição da estrutura sintática dá ritmo e reforça o
efeito de estranheza. No verso final, a solidão surge como condição paradoxal
do amor, revelando que aquilo que se deseja pode pertencer sobretudo a quem
dele está privado. A pintura é de
_(1906-08).jpeg)
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