Adam Zagajewski - Os meus mestres

 


Os meus mestres não são infalíveis.

Não se trata de Goethe, que só conseguia

adormecer quando ao longe

gemiam os vulcões, nem de Horácio,

que escrevia na língua dos deuses

e dos sacerdotes. Os meus mestres

pedem-me conselhos. Vestindo macios

sobretudos deitados velozmente

por cima dos sonhos, ao romper dia, quando o vento

fresco interroga os pássaros, os meus

mestres falam por sussurros.

Consigo ouvir a sua voz trêmula.


      O poema apresenta os mestres não como figuras perfeitas e distantes, mas como presenças frágeis, humanas e silenciosas. Em contraste com Goethe e Horácio, símbolos da grandeza literária, os verdadeiros mestres do sujeito poético pedem-lhe conselhos e comunicam através de sussurros. A imagem dos sobretudos sobre os sonhos e do vento que interroga os pássaros cria uma atmosfera de delicadeza e mistério. A sua voz trémula sugere que a sabedoria nasce também da dúvida, da vulnerabilidade e da escuta atenta.


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