Os
meus mestres não são infalíveis.
Não
se trata de Goethe, que só conseguia
adormecer
quando ao longe
gemiam
os vulcões, nem de Horácio,
que
escrevia na língua dos deuses
e
dos sacerdotes. Os meus mestres
pedem-me
conselhos. Vestindo macios
sobretudos
deitados velozmente
por
cima dos sonhos, ao romper dia, quando o vento
fresco
interroga os pássaros, os meus
mestres
falam por sussurros.
Consigo
ouvir a sua voz trêmula.
O poema apresenta os mestres não como figuras perfeitas e
distantes, mas como presenças frágeis, humanas e silenciosas. Em contraste com
Goethe e Horácio, símbolos da grandeza literária, os verdadeiros mestres do
sujeito poético pedem-lhe conselhos e comunicam através de sussurros. A imagem
dos sobretudos sobre os sonhos e do vento que interroga os pássaros cria uma
atmosfera de delicadeza e mistério. A sua voz trémula sugere que a sabedoria
nasce também da dúvida, da vulnerabilidade e da escuta atenta.

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