Curta
a vida ou comprida,
tudo
o que vivemos se reduz
a um
resíduo cinzento na memória.
Das
viagens antigas ficam
moedas
enigmáticas
fingindo
valores falsos.
Da
memória sobe apenas
um
pó vago, um perfume.
Será
talvez a poesia?
Tradução
de A.M.
Original:
Corta
la vida o larga, todo
lo
que vivimos se reduce
a un
gris residuo en la memoria.
De
los antiguos viajes quedan
las
enigmáticas monedas
que
pretenden valores falsos.
De
la memoria sólo sube
un
vago polvo y un perfume.
¿Acaso
sea la poesía?
Ida Vitale reflecte sobre a fragilidade da experiência humana
e o modo como o tempo reduz as vivências a vestígios na memória. As viagens,
representadas pelas moedas enigmáticas, perdem o seu valor original e tornam-se
sinais de um passado difícil de recuperar. O «pó» e o «perfume» sugerem
lembranças vagas, sensoriais e fugazes. O poema termina com uma pergunta
essencial: «Será talvez a poesia?», sugerindo que a poesia poderá ser
precisamente aquilo que permanece quando tudo o resto se dissolve.

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