Civilização e barbárie



 

      Muito se tem insistido numa velha dicotomia, obstinada como um quisto endurecido: civilização e barbárie. Nietzsche e Burckhardt foram talvez os primeiros a invalidar a pertinência desta oposição, quer para uma teoria da cultura entendida num plano sincrónico, quer para uma periodização hierárquica da história. A grande tragédia do século XX não só lhes deu razão como elevou a uma condição hiperbólica, antes inimaginável, a fatal integração da barbárie no interior de toda a civilização.

      António Guerreiro


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