Os
livros, o que ele rasgou,
A
página devastada, mas a luz
Sobre
a página, o acréscimo da luz,
Compreendeu
ele que se transformava na página branca.
Saiu.
O rosto do mundo, dilacerado,
Pareceu-lhe
de uma outra beleza, mais humana.
A
mão do céu procurava a sua mão no meio das sombras,
A
pedra, onde se vê que o seu nome se apaga,
Entreabria-se,
transformava-se em palavra.
Tradução
de Luís Serrano
Estes versos não designam apenas a angústia da criação, mas
um limiar metafísico. Simboliza o vazio e a renúncia às certezas ou conceitos
que nos alienam, permitindo ao poeta aceitar a finitude e aceder a uma perceção
mais autêntica, humana e luminosa do mundo. A página branca surge como o
momento de despojamento total, onde o poeta se liberta dos seus
"conceitos". É o espaço da voz que se arrisca no desconhecido.

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