Apanhar
caranguejos à meia-noite
às
apalpadelas
escolher
as pedras mais aguçadas
e erguê-las
pegar
neles pelo lado inofensivo
metê-los
no balde
e continuar
com
a lanterna na cabeça.
Procurar
a
mão do meu pai
com
emoção
e os
pés tiritando de mar
e
salitre,
observar
no
meio das sombras
a
mão dele segurando com força na minha
cuidado para não pisar o reflexo da lua.
Tradução de A.M. e imagem de Karoliina Ahvenainen
O poema apresenta a felicidade como um sonho simultaneamente
desejado e inalcançável. A criança que vai apanhar carangueijos com o pai. A voz poética reflete sobre a fragilidade das
expectativas humanas, mostrando que a procura constante pode gerar inquietação.
As imagens sugerem esperança, mas também desencanto, revelando que a verdadeira
felicidade talvez resida na aceitação do presente e na capacidade de encontrar
sentido nas experiências vividas com serenidade, transformando o sonho em
aprendizagem humana.

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