María García Zambrano - O sonho da felicidade

 


Apanhar caranguejos à meia-noite

às apalpadelas

escolher as pedras mais aguçadas

e erguê-las

pegar neles pelo lado inofensivo

metê-los no balde

e continuar

com a lanterna na cabeça.

Procurar

a mão do meu pai

com emoção

e os pés tiritando de mar

e salitre,

observar

no meio das sombras

a mão dele segurando com força na minha


cuidado para não pisar o reflexo da lua.


  Tradução de A.M. e imagem de Karoliina Ahvenainen


      O poema apresenta a felicidade como um sonho simultaneamente desejado e inalcançável. A criança que vai apanhar carangueijos com o pai. A voz poética reflete sobre a fragilidade das expectativas humanas, mostrando que a procura constante pode gerar inquietação. As imagens sugerem esperança, mas também desencanto, revelando que a verdadeira felicidade talvez resida na aceitação do presente e na capacidade de encontrar sentido nas experiências vividas com serenidade, transformando o sonho em aprendizagem humana.


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