Uma
noite, há algum tempo,
caminhávamos
os dois.
De
repente, a arder
mas
conscientes
-
nunca o amor turva a consciência -
metemos
por ali, para beijar-nos,
no
armazém escuro.
Fizemos
amor na mais pura chama,
à
beira do perigo
- a
porta estava partida,
passavam
pessoas no passeio...
A
vida breve e o amor fugaz.
Como
saber se em tais ocasiões
o
amor nos preserva
ou
nos destrói?
Agora,
após o ricto com que mal
assinalo
a presença dessa porta,
os
passos conduzem-me para longe.
E
caminho à chuva.
Tradução
A.M.
Original:
Una
noche, hace tiempo, caminábamos.
De
pronto, enardecidos,
pero
conscientes
-nunca
el amor enturbia la consciencia-
nos
metimos ahí, para besarnos,
al
almacén oscuro.
Hicimos
el amor en el más puro fuego,
junto
al peligro
-la
puerta estaba rota,
por
la acera pasaban transeúntes…
La
vida breve y el amor en vilo.
¿Cómo
saber si en tales ocasiones
el
amor nos preserva
o
nos destruye?
Ahora
tras el rictus con que apenas
señalo
la presencia de esa puerta,
mi
consideración me lleva lejos.
Y en
la lluvia camino.
No poema, César Simón transforma a recordação de um encontro amoroso numa reflexão sobre a fragilidade da existência. O desejo surge ligado ao risco, tornando o amor simultaneamente força vital e possibilidade de destruição. A memória, distante mas persistente, revê esse instante intenso com serenidade melancólica, enquanto a chuva simboliza tempo de depuração. O pedaço de tela é de Francesco Hayez.

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