Silêncio:
a palavra
respira.
Corpo deitado
no
mar. Silêncio de fogo
e
música.
Silêncio:
a palavra sangra
seu
cântico de pó. Peixe
de
sombra
mordendo
as estrelas.
A palavra só. A palavra
refresca.
Osso abandonado
na
praia deserta.
A
palavra de água
onde
nego a morte. Pausa
do
sol.
No poema, a criação literária surge como um gesto de
descoberta, em que a palavra procura captar o indizível. O poeta valoriza a
simplicidade, o silêncio e a intensidade da experiência interior, sugerindo que
a poesia nasce da escuta atenta do mundo e de si próprio. A escrita não
pretende explicar a realidade, mas revelá-la através da intuição, da emoção e
da condensação expressiva, transformando o quotidiano em conhecimento sensível.

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