Blanca Varela - Ao despertar / Al despertar

 


Ao despertar

surpreendeu-me a imagem que ontem perdi.

A mesma árvore na manhã

e na levada

o pássaro que bebe

o oiro do dia.

Estamos vivos, ninguém duvida,

o loureiro, a ave, a água

e eu, que observo e tenho sede.


  Tradução de A.M.


  Original:


Al despertar

me sorprendió la imagen que perdí ayer.

El mismo árbol en la mañana

y en la acequia

el pájaro que bebe

todo el oro del día.

Estamos vivos, quién lo duda,

el laurel, el ave, el agua

y yo, que miro y tengo sed.


      É um poema muito belo, ele transforma um instante quotidiano numa revelação existencial. O reencontro com a árvore, a ave e a água restitui à voz poética uma perceção renovada da vida, onde a natureza confirma a permanência do mundo apesar da perda. A simplicidade das imagens contrasta com a profundidade da reflexão. O verso final, “olho e tenho sede”, exprime um desejo inesgotável de conhecimento, beleza e plenitude, revelando a condição humana como permanente procura.


Sem comentários:

Arquivo do blogue