Ao
despertar
surpreendeu-me
a imagem que ontem perdi.
A
mesma árvore na manhã
e na
levada
o
pássaro que bebe
o
oiro do dia.
Estamos
vivos, ninguém duvida,
o
loureiro, a ave, a água
e
eu, que observo e tenho sede.
Tradução
de A.M.
Original:
Al
despertar
me
sorprendió la imagen que perdí ayer.
El
mismo árbol en la mañana
y en
la acequia
el
pájaro que bebe
todo
el oro del día.
Estamos
vivos, quién lo duda,
el laurel, el ave, el agua
y
yo, que miro y tengo sed.
É um poema muito belo, ele transforma um instante quotidiano numa revelação
existencial. O reencontro com a árvore, a ave e a água restitui à voz poética
uma perceção renovada da vida, onde a natureza confirma a permanência do mundo
apesar da perda. A simplicidade das imagens contrasta com a profundidade da
reflexão. O verso final, “olho e tenho sede”, exprime um desejo inesgotável de
conhecimento, beleza e plenitude, revelando a condição humana como permanente
procura.

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