Wallace Stevens - Paráfrase Lunar

 


A lua é a mãe do patético e da piedade.


Quando, no mais fastidioso fim de Novembro,

a sua velha luz se alonga pelos ramos,

frágil, lentamente, dependendo deles;

Quando o corpo de Jesus queda num palor,

humanamente próximo, e a figura de Maria,

tocada pelo orvalho, se recolhe num abrigo

feito de folhas, que apodreceram caíram;

Quando sobre as casas, uma ilusão dourada

traz de volta uma época primitiva de paz

e sonhos pacificadores às pantufas no escuro –


A lua é a mãe do patético e da piedade.


   A tradução  é de Jorge Fazenda Lourenço e a pintura de Edward Mason Eggleston.


      O poema explora a relação entre imaginação e realidade através da imagem da lua. O poeta sugere que a perceção do mundo depende do olhar humano, transformando o real em algo simbólico e subjetivo. Assim, o poema valoriza a criatividade como forma de interpretar e reinventar a realidade.


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