É
uma queda
num
abismo de sede que nunca acaba
e
onde vamos ardendo.
É
como um arranhão
ou
punhalada,
o
aguilhão, de repente, de uma abelha.
Um
gole de vodka
numa
madrugada de verão
onde
não esperavas já
encontrar
ninguém.
E é
a um tempo tão breve,
e
vai-se a ver tão simples
como
uma concha de água que se vira.
Tradução
A.M.
Original:
Es
un precipitarse
a un
abismo de sed que nunca cesa
y al
que vamos ardiendo.
Es
como un arañazo
o
una puñalada.
El aguijón, de pronto, de una abeja.
Un
chupito de vodka
en
una madrugada de verano
donde
ya no esperabas
encontrarte
con nadie.
Y es
a la vez tan breve,
y
resulta tan simple
como
un cuenco de agua que se vuelca.
No poema, a poesia surge como uma força viva, capaz de dar
sentido à experiência humana e de transformar o quotidiano. O sujeito poético
reflete sobre o próprio ato de escrever, sugerindo que o poema nasce da
observação, da memória e da emoção. A linguagem é simples, mas carregada de
simbolismo, privilegiando a intimidade e a autenticidade.

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