Julia Bellido - O poema / El Poema

 


É uma queda

num abismo de sede que nunca acaba

e onde vamos ardendo.


É como um arranhão

ou punhalada,

o aguilhão, de repente, de uma abelha.


Um gole de vodka

numa madrugada de verão

onde não esperavas já

encontrar ninguém.


E é a um tempo tão breve,

e vai-se a ver tão simples

como uma concha de água que se vira.


  Tradução A.M.


  Original:


Es un precipitarse

a un abismo de sed que nunca cesa

y al que vamos ardiendo.


Es como un arañazo

o una puñalada.

El aguijón, de pronto, de una abeja.


Un chupito de vodka

en una madrugada de verano

donde ya no esperabas

encontrarte con nadie.


Y es a la vez tan breve,

y resulta tan simple

como un cuenco de agua que se vuelca.


      No poema, a poesia surge como uma força viva, capaz de dar sentido à experiência humana e de transformar o quotidiano. O sujeito poético reflete sobre o próprio ato de escrever, sugerindo que o poema nasce da observação, da memória e da emoção. A linguagem é simples, mas carregada de simbolismo, privilegiando a intimidade e a autenticidade.


Sem comentários:

Arquivo do blogue