Dez
anos esperou que a seca árvore
florisse
de novo. Dez anos
de
machada afiada e trémula,
mas
a árvore
mostrava
só os braços nus,
o
poleiro da pega e dos corvos.
Cortou-a
por fim, e de repente,
viu-lhe
o coração verde, a borbotar de seiva;
um
ano mais, e floria.
Trad. A.M.
Original:
Diez
años esperó que el árbol seco
floreciera
de nuevo. Diez años
con
el hacha aguzada y temblorosa,
pero
el árbol
sólo
exhibía sus desnudos brazos,
la
percha de la urraca y de los cuervos.
Cortóle
al fin, y, de repente,
vio
su corazón verde, borbotón de savia;
un
año más, y hubiera florecido.
Estes versos condensam numa imagem austera a fragilidade da
existência. A árvore, despojada de folhas e aparente de vitalidade, simboliza a
solidão, o desgaste do tempo e a vulnerabilidade humana. Contudo, permanece
erguida, sugerindo dignidade, memória e perseverança. As palavras confrontam a
aridez exterior com uma vida interior latente, insinuando que, mesmo na
esterilidade ou no abandono, subsiste uma possibilidade de renovação, esperança
e silenciosa transcendência.

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