Já
sei que não há saída,
mas deixai-me ir por aqui,
não peçais para voltar.
Cravaram-se-me
os olhos
e a
carne,
e
não posso voltar,
e
não quero voltar.
Não
me griteis que não há
saída,
julgando
que eu não oiço,
que
não entendo.
As vossas
vozes tropeçam-me na crosta
e
caem como cascas,
que
eu piso ao andar.
Avanço
sozinha e alegre
na
exacta manhã
pelo
meu próprio caminho
que
encontrei
embora
não haja saída.
Tradução A.M.
Original:
Ya
sé que no hay salida,
pero
dejad que siga por aquí.
No
me pidáis que vuelva.
Se
han clavado mis ojos y mi
carne,
y no
puedo volver.
Y no
quiero volver.
Ya
no me gritéis más que no hay
salida
creyendo
que no oigo,
que
no entiendo.
Vuestras
voces tropiezan en mi costra
y se
caen como cáscaras
y
las piso al andar.
Avanzo
alegre y sola
en
la exacta mañana
por
el camino mío que he
encontrado
aunque
no haya salida.
No poema existe a sensação de bloqueio existencial e
emocional. A imagem do espaço fechado traduz a impossibilidade de fuga,
revelando solidão, dúvida e desencanto. A linguagem simples intensifica o tom
íntimo e reflexivo, aproximando o leitor da inquietação da voz poética. O beco
funciona como metáfora da condição humana perante escolhas limitadas e caminhos
interrompidos. O poema destaca ainda a tensão entre desejo de mudança e
incapacidade de avançar.

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