Carmen Martín Gaite - Beco sem saída / Calejjón sin Salida

 

The Three Fates: Clotho, Lachesis and Atropos.

Já sei que não há saída,

mas deixai-me ir por aqui,

não peçais para voltar.

Cravaram-se-me os olhos

e a carne,

e não posso voltar,

e não quero voltar.

Não me griteis que não há

saída,

julgando que eu não oiço,

que não entendo.

As vossas vozes tropeçam-me na crosta

e caem como cascas,

que eu piso ao andar.

Avanço sozinha e alegre

na exacta manhã

pelo meu próprio caminho

que encontrei

embora não haja saída.


 Tradução A.M.


  Original:


Ya sé que no hay salida,

pero dejad que siga por aquí.

No me pidáis que vuelva.

Se han clavado mis ojos y mi

carne,

y no puedo volver.

Y no quiero volver.

Ya no me gritéis más que no hay

salida

creyendo que no oigo,

que no entiendo.

Vuestras voces tropiezan en mi costra

y se caen como cáscaras

y las piso al andar.

Avanzo alegre y sola

en la exacta mañana

por el camino mío que he

encontrado

aunque no haya salida.


      No poema existe a sensação de bloqueio existencial e emocional. A imagem do espaço fechado traduz a impossibilidade de fuga, revelando solidão, dúvida e desencanto. A linguagem simples intensifica o tom íntimo e reflexivo, aproximando o leitor da inquietação da voz poética. O beco funciona como metáfora da condição humana perante escolhas limitadas e caminhos interrompidos. O poema destaca ainda a tensão entre desejo de mudança e incapacidade de avançar.


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