José Luís Tinoco - Os Lobos e Ninguém, canta Carlos do Carmo


      Morreste-nos. Deixa lá, como dizia o António Lobo Antunes "Ninguém sabe o que é a morte, mas não faz muita diferença porque também nunca sabemos o que é a vida." Obrigado.

 


Cresceu nas pedras, falou sozinho com a voz de relento

Soube do sabor da morte, da sorte e do vento.

Cresceu calado, dormiu sozinho na terra batida

Marchou descalço no pó dos caminhos da vida.


Guardou os rebanhos dos lobos à chuva e ao frio

Suou tardes de terra dura na ponta do estio.

Comeu do pão magro, da magra soldada

Largou a enxada, largou o noivado

Largou p´ra cidade mais perto para um pão mais certo.


Malhou no ferro, abriu trincheiras, estradas, sonhou.

Andou no mato perdeu a infância. Matou.

Marchou caldo, dormiu sozinho na terra batida

Caiu descalço no pó dos caminhos da vida.


E os lobos lá longe e as asas de abutre sem cara

E o medo na tarde, na farda, no corpo, na arma.

Soldado na morte, do mato no norte

Na sorte do vento, no fogo da terra

Nascido descalço, crescido nas pedras

Dormido sozinho, no pó do caminho.


Enxada, pão magro, relento, soldado

Na ponta do estio e o medo na tarde

E os lobos lá longe e as asas de abutre sem cara.


      A canção tem uma atmosfera intensa, explorando sentimentos de identidade, solidão e resistência. A metáfora dos lobos sugere luta e sobrevivência num mundo adverso, enquanto "ninguém" evoca anonimato e invisibilidade.


 

Sem comentários:

Arquivo do blogue