Cresceu nas pedras, falou sozinho com a voz de relento
Soube do sabor da morte, da sorte e do vento.
Cresceu calado, dormiu sozinho na terra batida
Marchou descalço no pó dos caminhos da vida.
Guardou os rebanhos dos lobos à chuva e ao frio
Suou tardes de terra dura na ponta do estio.
Comeu do pão magro, da magra soldada
Largou a enxada, largou o noivado
Largou p´ra cidade mais perto para um pão mais certo.
Malhou no ferro, abriu trincheiras, estradas, sonhou.
Andou no mato perdeu a infância. Matou.
Marchou caldo, dormiu sozinho na terra batida
Caiu descalço no pó dos caminhos da vida.
E os lobos lá longe e as asas de abutre sem cara
E o medo na tarde, na farda, no corpo, na arma.
Soldado na morte, do mato no norte
Na sorte do vento, no fogo da terra
Nascido descalço, crescido nas pedras
Dormido sozinho, no pó do caminho.
Enxada, pão magro, relento, soldado
Na ponta do estio e o medo na tarde
E os lobos lá longe e as asas de abutre sem cara.
A canção tem uma atmosfera intensa, explorando sentimentos de identidade, solidão e resistência. A metáfora dos lobos sugere luta e sobrevivência num mundo adverso, enquanto "ninguém" evoca anonimato e invisibilidade.

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