O
amante menciona a luz curvada
do seu ventre desnudo:
denuncia
a vida alheia como um naufrágio
e
subordina o mundo
à
referência da amada adormecida.
O
amante constrói
o seu
território sanguíneo
em
torno dessa pulsação dourada:
apanhado
no
poder desconhecido
que
emana de uma coisa perfeitamente feita.
Tradução
de A.M.
Original:
El
amante menciona la luz curvada
de
su vientre desnudo:
denuncia
la vida ajena como un naufragio
y
subordina el mundo
a la
referencia de la amada dormida.
El
amante construye
su
territorio sanguíneo
en
torno a esa pulsación dorada:
atrapado
en
el poder desconocido
que
emana de una cosa perfectamente hecha.
A pintura é de Magritte, Os Amantes.
O poema explora a fragilidade da percepção humana diante do
real. Os versos sugerem que toda a observação depende de um enquadramento,
histórico, mental e sensorial, que limita e organiza a experiência. Assim, o
mundo não surge como verdade absoluta, mas como construção provisória. A
linguagem, precisa e reflexiva, revela a tensão entre objeto e consciência,
mostrando que conhecer implica sempre interpretar, selecionar e,
inevitavelmente, distorcer aquilo que julgamos compreender na sua parcial
condição humana.
Interpretação I.A.

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