Da infância, o cheiro
do musgo nas levadas, da lama, das amoras
e a violência extrema de aprender.
Do mar, a última nota
da última onda desdobrada
antes da volta, teimando
que sereias não existem.
Da noite, a ligeira fragrância
de um perfume italiano
sempre na moda.
Do teu corpo, o aroma
de livro de aventuras
em nova leitura; mas também de
loendros desolados, a arder.
Cheira a vida queimada.
Trad. A.M.
O poema explora a memória sensorial e o poder evocativo do
perfume. A fragrância surge como metáfora do desejo, da identidade e da
passagem do tempo, revelando como os odores guardam experiências íntimas. O eu
lírico associa o perfume ao corpo e à emoção, transformando-o num símbolo de
presença e ausência, onde o efémero se torna duradouro através da lembrança.

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