É nómada digital tem escritório no quintal, teletrabalha no Minho
Fala estrangeiro de fora, coitada da Dona Aurora que não entende o vizinho
Gorro e flanela vestida, óculos e barba comprida, calça que não tapa a meia
Mata-se a tratar da horta, mas não sai da cepa torta. É a comédia da aldeia.
Tudo anda a murmurar que o viram fotografar a bosta dos animais
Não sei quantos .com ele deve passar fome. Arrobas não são quintais
A rir-se do lavrador de rato e computador enquanto apanha limões
Sobre o muro empoleirada, qual treinador de bancada, dá Aurora as instruções.
Arranca as ervas do chão
Pega assim na roçadeira
Leva o carrinho de mão
Puxa a corda do motor
Cava o galeiro em linha
Neste baile o mandador
É a chata da vizinha.
De todas as redondezas vêm ver estas proezas do lavrador estrangeiro
A tentar usar sachola sem saber vergar a mola é um circo no terreiro
A Aurora a dar ao braço vai mandando no compasso deste baile no quintal
Dança ela e as vizinhas mais o estrangeiro lingrinhas o baile neo rural.
O estrangeiro empreendedor trata a horta com primor
Já parece lavrador tudo graças à vizinha.
"Catrapana é um projeto do Agrupamento de Escolas de Ponte da
Barca que teve origem no Plano Nacional das Artes. Catrapana é um grupo de
percussão, dinamizado e coordenado por Rafael Freitas dos Gaiteiros de Bravães,
um apaixonado pelas diversas expressões culturais locais, constituído por
alunos do 2.º ciclo do ensino básico que procura tornar a arte mais acessível,
pela expressão da música popular, aos jovens alunos, na comunidade educativa,
através da participação, fruição e criação cultural."
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