Enfim
sós, vida. Terminou a festa
e
não resta ninguém que possa obrigar-nos
a
forçar sorrisos, ou a inventar incómodas
mentiras
piedosas. Todos se foram.
Vai-te
desnudando sem medo. Conheço
as
velhas rugas de tua carne triste.
Acariciei-as.
Sei o que teu rosto
oculta
por baixo da maquilhagem.
Enfim sós, vida. A casa em silêncio
e tu
e eu nus, calados e ausentes,
- juntos por rotina, mais que por desejo -
como dois amantes cansados de se verem.
A tela é da pintora checa Anastasia. O poema desmonta as mascaras quando estamos rodeados pelas circunstâncias e, o cair em si, fora delas.

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