Javier Salvago - Fim de festa



Enfim sós, vida. Terminou a festa

e não resta ninguém que possa obrigar-nos

a forçar sorrisos, ou a inventar incómodas

mentiras piedosas. Todos se foram.


Vai-te desnudando sem medo. Conheço

as velhas rugas de tua carne triste.

Acariciei-as. Sei o que teu rosto

oculta por baixo da maquilhagem.


Enfim sós, vida. A casa em silêncio

e tu e eu nus, calados e ausentes,

 - juntos por rotina, mais que por desejo -

como dois amantes cansados de se verem.


      A tela é da pintora checa Anastasia. O poema desmonta as mascaras quando estamos rodeados pelas circunstâncias e, o cair em si, fora delas. 


Sem comentários:

Arquivo do blogue