Meus
olhos eram mesmo água,
— te
juro —
mexendo
um brilho vidrado,
verde-claro,
verde-escuro.
Fiz
barquinhos de brinquedo,
— te
juro —
fui
botando todos eles
naquele
rio tão puro.
Veio
vindo a ventania,
— te
juro —
as
águas mudam seu brilho,
quando
o tempo anda inseguro.
Quando
as águas escurecem,
— te
juro —
todos
os barcos se perdem,
entre
o passado e o futuro.
São
dois rios os meus olhos,
— te
juro —
noite
e dia correm, correm,
mas não acho o que procuro.
O poema apresenta uma reflexão lírica sobre o percurso
interior e espiritual do ser humano. A viagem sugerida não é apenas física, mas
simbólica, marcada pela busca de sentido, pela solidão e pela transitoriedade
da vida. Com linguagem musical, delicada e introspetiva, o eu lírico percorre
paisagens que refletem estados da alma. O tempo surge como elemento fluido, e a
existência revela-se efémera.

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