Catarina Carvalho Gomes - Novos velhos / Suicide tree / Só mais um pouquinho



Os pais sempre cientes levam sua vida a achar

que as ideias presentes, outrora por concretizar,

são dignas de respeito mesmo causando dor.


Creem no direito de suplantar amor

em troca de trabalho.


Oh, não!

Não endeuso minha gente.

O meu tempo é de franqueza e sangro de remexer a terra.

 

"Podia morrer agora que estava tudo bem".

Assim, na horizontal, disseste tu depois do amor,

enfim, podias ir e nada ficava por fazer.

Como a suicide tree, caías tu por terra.

Ao fim de penetrar, floresces tu de uma só vez,

enfim, contente com o propósito de tudo isto.

Eu também poderia perecer depois de ser toda mulher,

mas preferia balançar na vertical.

 

Eu sou mais que flor, eu sou fruto dessa espera que não cessa

e anda às voltas sem cuidado, porque a ânsia é grande

de sentir de novo adrenalina a correr no corpo mole.

Se ficar passiva para sempre, nunca mais terei prazer

em ver o vento afastar a nuvem escura que só cobre a minha copa,

pronta a verdecer e cheia de docinho para dar.

 

Vou partir, voar, sem sair do coração mudar de sotaque mesmo a meio da canção,

para me sentir mais perto de todos os povos desta terra,

francamente farta de nos ter por cá.

Deixem-me ficar só mais um pouquinho que apesar de já estar pronta

para ir para o outro lado queria ainda provocar uma catarse coletiva.


      Catarina Carvalho Gomes nasceu em Braga, 1997. É artista multidisciplinar e interessa-se pelo trabalho de exploração vocal nas áreas da música e teatro. Como cantora, integrou o Ensemble Caleidoscópio, dirigido por Bruno Pernadas, e o projeto Frestão de João Grilo. Gravou voz para os discos de Pedro Lima, Samuel Martins Coelho, GRÃO, Homem em Catarse e Romain Valentino. Em 2023, lançou o disco autoral Novas Canções da Terra, projeto com o qual venceu o prémio de melhor concerto no Festival Emergente, em 2024.


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