O
meu livro e ensinamentos poéticos,
comprado
numa banca ao ar livre junto ao rio,
apresenta muitas regras
sobre
o que escrever e não escrever.
Mais do que duas pessoas num poema
é
uma multidão, é uma.
Falar na roupa que se tem vestida
quando
se escreve, é outra.
Fugir de palavras como vórtice,
aveludado
e cigarra.
Quando não souber como acabar,
ponha
umas galinhas castanhas à chuva.
Nunca admita que faz correções.
E
mantenha sempre o poema numa só estação.
Procuro tê-las presentes
mas, nestes últimos dias de verão,
sempre
que ergo os olhos da minha página
e
vejo uma mancha seca de folhas amarelas,
penso nos ventos gélidos
que
em breve golpearão o meu casaco.
in, A aranha irlandesa & outros poemas

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