António Osório - Trinta e nove anos

 


É um bem que me roubem e explorem;

um bem que saibam quanto valho (nada);

um bem que espreitem, que circulem

incólumes, que amedrontem e persigam;

um bem que me desprezem e destruam

e um bem maior ainda que me ignorem,

porque é preciso pagar, e caro, a vida.


      Versos do tempo da ditadura em Porugal, o tempo do Estado Novo. Cada um descreve de modo irónico a vida nesse tempo. A pintura é de Jose Antonio Pantoja Hernandez.


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