António Gedeão - Poema das Coisas Belas

 


"As coisas belas,

as que deixam cicatrizes na memória dos homens,

por que motivo serão belas?

E belas, para quê?


Põe-se o sol porque o seu movimento é relativo.

Derrama cores porque os meus olhos vêem.

Mas por que será belo o pôr do Sol?

E belo, para quê?


Se acaso as coisas não são coisas em si mesmas,

mas só são coisas quando coisas percebidas,

por que direi das coisas que são belas?

E belas, para quê?


Se acaso as coisas forem coisas em si mesmas

sem precisarem de ser coisas percebidas,

para quem serão belas essas coisas?

E belas, para quê"


      Com linguagem sensível, o eu lírico convida o leitor a olhar o mundo com mais atenção e gratidão. Através dessa contemplação, revela-se que a verdadeira beleza não está no extraordinário, mas no que é comum e autêntico. São belas para quê? Para através do mistério podermos compreender a possibilidade de Deus existir.


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