À
tua menina nasce um dente, depois o segundo,
e o
quarto, e o quinto, depois ela quer carne
directamente
do osso. Acaba
tudo: vai aprender certas palavras, apaixonar-se
por
cretinos, imbecis, um qualquer falinhas
mansas
a caminho da prisão. E tu,
a
tua mulher, envelhecem, estão gastos,
e
não se lastimam. Já viveste, amaste, os teus pés
doem.
Anoitece. A tua filha está enorme.
O poema confronta o luto a partir de um detalhe cotidiano: o
dente de leite da filha. O tom irônico e terno mistura humor e medo, revelando
como a perda mínima antecipa perdas maiores. A linguagem simples sustenta uma
reflexão profunda sobre a paternidade, a finitude e a impotência diante do
tempo.
Original:
Your baby grows a tooth, then two,
and four, and five, then she wants
some meat
directly from the bone. It's all
over: she'll learn some words, she'll fall
in love with cretins, dolts, a sweet
talker on his way to jail. And you,
your wife, get old, flyblown, and rue
nothing. You did, you loved, your feet
are sore. It's dusk.
Your daughter's tall.

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