Peter Meinke - As rosas de plástico

 


O homem que inventou as rosas de plástico morreu.

Reparem na sua importância:

as suas flores imperecíveis e imaculadas nunca murcham

mas resolutamente velam o seu túmulo através da escuridão.

Ele não compreendeu a beleza nem as flores,

que enredam os nossos corações em redes suaves como o céu

e nos prendem com um fio de horas efémeras:

as flores são belas porque morrem.

A beleza sem o seu lado perecível

torna-se seca e estéril, um palco abandonado

com uma floresta de enganos. Mas a realidade

dá razão à invenção deste homem; ele conhecia a sua época:

uma visão do nosso tempo impiedoso revela-nos

homens artificiais cheirando rosas de plástico.


  Original:


The Man who invented the plastic rose is dead,

Behold his mark.

His undying flawless blossoms never close

But guard his grave unbending through the dark.

He understood neither beauty nor flowers,

Which catch our hearts in nets as soft as sky

And bind us with a thread of fragile hours,

Flowers are beautiful because they die.

Beauty without the perishable pulse

Is dry and sterile, an abandoned stage

With false forests. But the results

Support this man’s invention. He knows his age;

A vision of our tearless time discloses

Artificial men sniffing plastic roses.


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