Só
como
um cargueiro sem carga.
Eu:
uma vela sem vento.
Uma flor colho,
uma
flor colhe-me.
Ontem
comecei
a matar-te coração,
agora amo o que resta de ti
e quando eu estiver morto
o meu pó gritará por ti.
O poema encena a solidão como condição histórica, não apenas
emocional. O eu lírico aparece fragmentado, situado entre ruínas, revelando o
esgotamento das promessas revolucionárias. A linguagem é seca, quase brutal,
recusando lirismo conciliador. O silêncio, a repetição e a imagem do corpo
isolado apontam para um sujeito atravessado pela violência da História, incapaz
de síntese, sobrevivendo apenas como resto trágico, moderno.

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