Felipe Benítez Reyes - Uma forma de eternidade

 


Então, era isto o medo?

Não os fantasmas horríveis

do pensamento e da consciência,

não os compridos corredores de hospital

com tubos fluorescentes dia e noite;

nem sequer o tremor de irrealidade

que deixa na alma o recordar.


O medo, pelos vistos, é sereno,


vem-nos ao fechar a janela

e ao vermos que tudo o que olhamos

é o mesmo de ontem e será

o mesmo amanhã e para sempre.


      O poema reflete sobre a tentativa humana de fixar o efémero. A eternidade surge não como duração infinita, mas como instante preservado pela memória e pela linguagem. Benítez Reyes associa o amor e a experiência vivida a uma resistência contra o tempo, mostrando que apenas o que foi intensamente sentido permanece. A forma poética revela um tom melancólico e lúcido, consciente do fracasso final, mas ainda assim empenhada em criar sentido frente à fugacidade inevitável, humana, silenciosa, trágica, persistente, eterna.


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