Então,
era isto o medo?
Não
os fantasmas horríveis
do
pensamento e da consciência,
não
os compridos corredores de hospital
com
tubos fluorescentes dia e noite;
nem
sequer o tremor de irrealidade
que
deixa na alma o recordar.
O
medo, pelos vistos, é sereno,
vem-nos
ao fechar a janela
e ao
vermos que tudo o que olhamos
é o
mesmo de ontem e será
o
mesmo amanhã e para sempre.
O poema reflete sobre a tentativa humana de fixar o efémero.
A eternidade surge não como duração infinita, mas como instante preservado pela
memória e pela linguagem. Benítez Reyes associa o amor e a experiência vivida a
uma resistência contra o tempo, mostrando que apenas o que foi intensamente
sentido permanece. A forma poética revela um tom melancólico e lúcido,
consciente do fracasso final, mas ainda assim empenhada em criar sentido frente
à fugacidade inevitável, humana, silenciosa, trágica, persistente, eterna.

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