Neste prato esmaltado cabe toda a sopa que ainda fumega,
o raio de sol fere o jogo do vapor no ar
e tu ficas a olhá-lo, em silêncio.
Colocas a colher na borda do prato,
lentamente, como se temesses que o ruído despertasse alguma
recordação.
À tua frente a tua filha sorve a sopa
e com um fio de massa entre os lábios pergunta-te se hoje é
amanhã.
Hoje é hoje, dizes-lhe, e amanhã é amanhã, mas sorris
e ensinas-lhe que a colher pode flutuar na sopa como um
barco,
um barco pesado e fumegante que sabe ir e voltar, voltar
também.

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