Alguém a deixou sobre a mesa do jardim, a laranja.
Agora
é um símbolo da tarde, essa fruta
brilhando
por entre o confuso calor deste fim de dia
luminoso
como uma recordação amorosa da adolescência,
como
a primeira laranja,
como
as mãos que cheiram a laranja.
(Rodearam-na
logo as formigas, esvoaçaram
em
seu torno mil insectos, bailará a noite
em
seu redor.) Mas agora essa laranja na tarde
supõe
uma ordem, um sentido, o centro gravitacional do dia.

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