a
minha infância tem uma árvore
assombrosa.
é uma bela história de amor
entre
as nossas mãos pequeninas
e
aqueles seus braços enormes, bravos e
loucos
como o riso das mães,
que
faziam abrandar o medo e a tarde.
oito,
nove, dez: virávamo-nos à procura dos outros
pelo
labirinto de grutas cavado nas raízes,
ao
abrigo do vento e da solidão que não tardaria
a
descobrir o nosso esconderijo.
ao
parar, há dias, na Deslocação do Labirinto,
imaginei
que talvez Vieira da Silva
tivesse
sonhado a minha árvore.
ou
vice-versa. dois seres mágicos do mesmo elemento
engendrando-se
um ao outro nas raízes do mundo:
azuis
e verdes com riscos ferozes
onde
a vista se afunda para depois
nos
libertar. assim é, entre o céu da memória
e a
erva húmida destes dias,
a
árvore da minha infância.
in, Small Song

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