Jesús Jiménez Domínguez - O mundo em quarentena

 


Após muitos dias de névoa,

convalescendo entre algodões,

as coisas do mundo sararam

e tornaram a ser elas mesmas:

o ramo não quer já ser pássaro,

nem a pedra quer ser água,

nem a realidade desejo.


Emergiram do nevoeiro mais doces,

mais suaves, mais dóceis.

E aqui estão, tal como se alguém,

este tempo todo,

mergulhasse no leite

os bocados duros do pão.


Tradução, blogue Rua das Pretas


Texto original:


Tras muchos días de niebla

convaleciendo entre algodones,

las cosas del mundo se curaron

y volvieron a ser ellas mismas:

la rama ya no quiso ser el pájaro,

ni la piedra quiso ser el agua,

ni la realidad quiso ser el deseo.


Emergieron de la niebla más dulces,

más dóciles y más blandas.

Aquí están: igual que si alguien,

durante todo este tiempo,

hubiera hundido en la leche

los trozos duros del pan.


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