O
meu tio levou um requintado fato preto
feito
por medida, tecido italiano, caríssimo.
O
meu irmão, que detesta gravatas pretas,
colocou
uma, porém, talvez para dissimulá-la,
vestiu
uma camisa preta.
As
minhas primas, umas de calças, outras de vestido,
outras
de saia, foram todas vestidas de preto.
A
minha tia, sempre exagerada,
levou
uma minissaia quase curtíssima e uma camisola
exageradamente
decotada, tudo da mesma cor, tudo preto.
A
minha avó levou um vestido e um xaile da cor
que
vem ostentando ininterruptamente há dez anos:
a
cor que a morte do meu avô sepultou em todas
as
suas roupas: a cor do luto – o preto.
O
médico foi de preto,
o
advogado também.
Foram
alguns amigos, alguns conhecidos,
todos
eles vestidos de preto.
De
preto foi também a única pessoa
que
não conheci.
Só
eu chorei.

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