Recordo
apenas que me esqueceu o som das mais amadas vozes
e
perdi para sempre o cheiro das frutas da infância,
o
sabor exacto do pêssego
o
bater de asas do vento por entre os pinheiros,
o
entusiasmo de achar uma noz caída da nogueira.
Sortilégios
de outro tempo, agora apenas litania descolorida,
apelo
vão que não me traz o assombro
de
ver um pássaro dentro do quarto,
como
às vezes de madrugada em criança.
Como
recuperar certas carícias e os abraços essenciais?
Como
reviver a mais certa penumbra, iluminada pela luz dos já antigos Beatles,
como
fazer que chova a mesma chuva que via cair
nos
meus treze anos?
Como
voltar ao êxtase do sol, à luz ébria dos sete anos,
ao
sabor maduro das amoras,
a
todo esse território desconhecido da morte,
à
palpitante luz da pureza,
a
tudo isso que eu sou, mas que já não é meu?

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