O meu
pai tinha num ombro
uma
lasca de metralha.
Era
quase criança quando os aviões
atacaram
o gado que ele guardava
e
que não era para abastecer
os
soldados republicanos.
Eu
brincava com ela em pequena
e
mexia-a alguns milímetros
com
meu dedo omnipotente.
E ao
tocar-lhe escutava os aviões,
via
os bezerros rebentados
- com
o terror nos olhos suplicantes -
e um
menino marcado
pela
morte com o seu ferro.
Essa
guerra que o meu pai trazia às costas
não
terminou nunca.
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