Ana Pérez Cañamares

 


O meu pai tinha num ombro

uma lasca de metralha.

Era quase criança quando os aviões

atacaram o gado que ele guardava

e que não era para abastecer

os soldados republicanos.


Eu brincava com ela em pequena

e mexia-a alguns milímetros

com meu dedo omnipotente.

E ao tocar-lhe escutava os aviões,

via os bezerros rebentados

- com o terror nos olhos suplicantes -

e um menino marcado

pela morte com o seu ferro.


Essa guerra que o meu pai trazia às costas

não terminou nunca.


Sem comentários:

Arquivo do blogue