Ana Merino - Carta de um náufrago

 



Com a permissão da neve

caminharei devagar.


Alguém haverá à espera junto do lume

e eu, cega do frio,

farei breves paragens,

sacudirei o guarda-chuva e começarei de novo.


O único segredo é não sentir-se

imensamente cheio de verdades.

Jamais aceitar os convites

da neblina

ao fazer ninho com os seus disfarces

de paisagem feliz, de grandes sonhos.


Alguém haverá que diga, perdeu-se,

alguém sairá a buscar-me

e levará o calor de uma garrafa

onde poderei mandar-te esta mensagem.


    Tradução de A.M.

 

Sem comentários:

Arquivo do blogue