Escrever
um poema
é
como apanhar um peixe
com
as mãos
nunca
pesquei assim um peixe
mas
posso falar assim
sei
que nem tudo o que vem às mãos
é
peixe
o
peixe debate-se
tenta
escapar-se
escapa-se
eu
persisto
luto
corpo a corpo
com
o peixe
ou
morremos os dois
ou
nos salvamos os dois
tenho
de estar atenta
tenho
medo de não chegar ao fim
é
uma questão de vida ou de morte
quando
chego ao fim
descubro
que precisei de apanhar o peixe
para
me livrar do peixe
livro-me
do peixe com o alívio
que não sei dizer.
A exaustão que é a criação poética e o desespero, às vezes
até, pelo qual os poetas passam para alcançar uma obra do seu agrado.
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