Alfonso Brezmes - A cidade nova



Mudaram os nomes das ruas,

mas as ruas não.

Derrubaram as velhas estátuas,

e puseram outras novas.

O velho rio passou a ser o novo rio.

O homem que vendia os jornais de hoje

continuou a vender os jornais de hoje.

A menina mudou a cor do seu globo.

As mulheres aprontaram-se para uma nova vida,

os homens para uma nova era.

O historiador pôs-se a aguçar o lápis,

o poeta e o louco sentaram-se a olhar.


Decididamente, esta cidade era outra,

e ninguém, sequer a chuva,

conseguiria apagar-nos o sorriso,

ao menos por algum tempo.


Sem comentários:

Arquivo do blogue