Roberto Juarroz

 


Os nomes não designam as coisas:

envolvem-nas, sufocam-nas.

 

Mas as coisas rasgam

as ligaduras das palavras

e voltam a estar aí, nuas,

à espera de algo mais que os nomes.

 

Só pode dizê-las

a sua própria voz de coisa,

a voz que nem ela nem nós sabemos,

nessa neutralidade que pouco fala,

esse mutismo enorme onde as ondas rebentam.


      Cada coisa vale pelo valor simbólico, utilitário e comercial.


Sem comentários:

Arquivo do blogue