Jorge Sousa Braga

 


Vou comprar a Vénus de Milo

para a pôr a servir de cabide no meu quarto

 

Um arroto dos meus é mais romântico de que uma valsa de Strauss

 

No fundo o que eu tenho é vocação de incendiário

assim como Nero,

como não posso incendiar Roma contento-me em incendiar o meu coração

 

A minha linguagem por vezes confunde-se com a do vento

ambos estamos metidos até ao pescoço no comércio do pólen

 

Não ponham orquídeas à minha frente senão vomito

 

O céu é azul e as tuas mamas são rosadas

obrigado, mas só bebo leite pasteurizado

 

Se pudesse pintava o céu de preto

e depois punha-me a olhar as estrelas através dos teus olhos.

 

       Este poema é um caso de stream of consciousness, onde cada verso é uma torrente sugestionadora que per si daria um poema.


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