Há-os que morrem de silêncio
de engolir muitas palavras e da cólica que se segue
e há-os que morrem por falar demasiado
pois as paredes – ao contrário das portas, que são surdas –
têm ouvidos.
Há-os que morrem de cansaço
de tudo o que é preciso mudar para que nada mude
e há quem morra de tédio
nesta feira universal onde estão sempre a ocorrer coisas
e nunca acontece nada.
Há-os que morrem de medo
ante a mera possibilidade de dar de caras
com a verdade dos seus actos
e há outros com tanta coragem
por alguém suspeitar uma verdade por trás dos seus actos
que simplesmente se morrem.
Há-os que não morrem nunca
porque estão já mortos.

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