Jorge Riechmann -

 


Há-os que morrem de silêncio

de engolir muitas palavras e da cólica que se segue

e há-os que morrem por falar demasiado

pois as paredes – ao contrário das portas, que são surdas –

têm ouvidos.

 

Há-os que morrem de cansaço

de tudo o que é preciso mudar para que nada mude

e há quem morra de tédio

nesta feira universal onde estão sempre a ocorrer coisas

e nunca acontece nada.

 

Há-os que morrem de medo

ante a mera possibilidade de dar de caras

com a verdade dos seus actos

e há outros com tanta coragem

por alguém suspeitar uma verdade por trás dos seus actos

que simplesmente se morrem.

 

Há-os que não morrem nunca

porque estão já mortos.

 

Sem comentários:

Arquivo do blogue