Ana Hatherly

 

A verdadeira mão que o poeta estende

não tem dedos: é um gesto que se perde

no próprio acto de dar-se

 

O poeta desaparece

na verdade da sua ausência

dissolve-se no biombo da escrita

 

O poema é

a única

a verdadeira mão que o poeta estende

 

E quando o poema é bom

não te aperta a mão:

aperta-te a garganta e o coração.


      A identidade dos 'poetas' de hoje é diferente. Poucos trabalham a arte da palavra e a moldam com o barro do mistério e da beleza. Editam muitos livros, entopem as estantes e querem gerir as suas carreiras.


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