O homem do povo descreveu as folhas como sendo verde-água.
Ao evocá-las no seu romance, o escritor as definiu
verde-esmeralda.
Quando se fez o filme baseado naquela história, o realizador
pediu
aos actores que apareciam debaixo da árvore
para que vestissem roupas a condizer com o verde-hawai das
folhas.
Os trabalhadores que retiravam os cenários, mal-humorados
e sonolentos, viam-nas verde-escuro.
Já ninguém se lembra dela, mas a árvore permanece no seu
sítio.
Viu engrossar a sua cortiça e cresceu alguns centímetros.
Presa sem mérito ao solo recebe agradecida a chuva, balança
com o temporal e dá sombra a quem se aproxima.
Não sabe que inspirou um livro ou que apareceu num filme.
Se fosse um homem diríamos que é dessa espécie de sábios
que ignoram os adjectivos que qualificam cada verde que vêem.
Os sábios ignoram os adjectivos? Eles são tão importantes para descrever a identidade. Contudo, a procura descritiva não deve ser tão exaustiva que mate a contemplação, o mistério e a beleza.

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