Júlio Pomar - O fim dos segredos

 


Quando se conta a outrem um segredo este

desmaia: a palavra

torna-se pele

sem leão lá dentro.

 

Não é mais segredo e não o sendo

finge ser lembrança

de fabrico imperfeito:

um cliqueti no silêncio escancara

 

a dantes inamovível porta

e virada a página acha-se apenas

uma moeda

que não corre já.


      Qualquer segredo tem sempre a forma de uma orelha.

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