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No ano de 1802 Beethoven reconhece a fatalidade da sua surdez com amargura. Em 1808 fecha a tampa do piano, mas é ainda nesse ano que compõe a 'Fantasia Coral' op.80, uma obra heterogénea, reunindo orquestra, coro e uma parte de solo para piano. O texto é uma ode à arte, onde são proclamados os dons que ela nos oferece através de Deus: a beleza, o amor e a energia.
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'Eu penso que os meios de que Beethoven dispunha para escrever a sua música não eram suficientes para ele', explica Hélene Grimaud. 'Ele compunha, frequentemente, para lá dos limites, para lá dos instrumentos que existiam naquele tempo, e até mesmo para lá da 'realidade' da matéria musical. E quando somos confrontados com tal energia… há algo incontrolável mas, ao mesmo tempo, somos obrigados a lidar com algo tangível, algo que tem os seus próprios limites. Encontrar o equilíbrio entre o seu ímpeto desenfreado e a necessidade de conservar os pés na terra é, para mim, o mais difícil de conseguir num concerto'.
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Hélene Grimaud
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